Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

Fernando Pessoa



6 de dez de 2009

Jack Vettriano



 
DERMOGRAFISMO


Há poros vermelhos
em ritmos errantes,
na de-cadência
de notas dissonantes.


Pele que arde
inteira
por fulgor incontido
nos labirintos dodecafônicos
de células em colisão.


Há irritação rubra
de pele
e de alma
quando em suspensão,
me vejo só
em desvios.


Pele que coça
ardência de pele
derme queimando
Irritação.


Como se não houvesse remédios,
remediar a alma.


Quero esfriá-la
na suave brisa da noite.


Vem
afaga,
sussurra
em minhas orelhas ardentes
que já me tem
o sorriso desértico de uma flor.


Há que se perder
nas calmarias distantes
de uma mudança de pele.


As geleiras se desfazem
e inundam os trópicos.


Ana Paula Perissé