Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

Fernando Pessoa



29 de dez de 2012

Kiéra Malone





trêmula

um frio tão gelado - acendo o fogo
ele me cobre com seu corpo e me beija
com sua boca de vulcão

líria porto

Kiéra Malone





amantes

haverá medos abismos delírios
uma corda no pescoço e o gozo meu querido
muito pouco porque rápido porque escondido
porque o paraíso é o inferno duradouro

*líria porto

Kiéra Malone




para compensar a força bruta

por trás
homens e mulheres
quase iguais

frente a frente
elas têm peito
eles - pendências

*líria porto

Kiéra Malone




da última vez

meu coração fogareiro
ao ver-te tão sorrateiro
faz canção de bem-te-vi
e ao som de um bolero
no laço do teu abraço
vira flor de sabugueiro
cheiro de mato
capim bravo

com a sede do deserto
pede água chega perto
rodopia tem vertigem
tem inocência de virgem
recebe a ti todo
inteiro

(não desmaiei
eu morri)

*líria porto

Kiéra Malone




versinhos encapetados

quando nasci
não tinha anjo disponível
então um diabinho com um tridente
espetou a minha bunda e disse - vai
cai na vida
não tens outra saída

*líria porto


Kiéra Malone




finjo-me esfinge

meia-lua amor
é tua

a outra metade
guardei-a para o compadre
que me beija a boca
quando chegas tarde
da casa da outra

* Líria Porto


Kiéra Malone





afogados

omar me quer
a sua língua
lânguida quente
lambe-me os pés

omar me pede
não se contenta
toca-me as pernas
alcança o ventre

omar se atreve
roça-me o peito
suga-me a boca
o pensamento

amar oh mar
ô morte
l e n t a

* líria porto