Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

Fernando Pessoa



25 de mar de 2010

John Enright



Parêmias


Colho do olhar a calma mansidão
presente, sempre armada na visão.

Vejo e muito olho o lombo nas retinas
de livros grossos lidos na surdina.

Eis que de estante fogem personagens
todos aqueles vistos na viagem

Na descoberta mágica do sonho
Acordado, nas lentes, um sardônico
ser, plasmado entre o medo e os meus pecados
de Sade a Nabukov degredado

lambendo em Chatterley godivas ladies
prendo lolitas dóceis nas paredes.

Madame Bovary o teu Flaubert sou seu!
Despindo as tuas vestes, teu plebeu.

Entre basílios e bentinhos sei-me Eça
Cruzado com Machado em dor expressa.

Na verdade nem Freud nem Masoch
Apenas um comum ser sem retoque.


Anibal Beça